
É inverno em meu estômago, e por mais que a noite demore um pouco para chegar oficialmente, tudo está escuro aqui dentro de mim. Meu coração está coberto por espessas camadas de gelo e encontra dificuldades para continuar batendo. De vez em quando vou até a janela e posso visualizar uma cena completamente diferente da que está em execução no meu interior obscuro: o sol brilha para todos, as crianças correm, alguns senhores jogam baralho e os casais trocam beijos apaixonados. O fato de não estar lá (com você), de não sentir o (seu) calor em minha pele, é estranho demais para mim. Eu me habituei a você, sentir a sua respiração quente em meu rosto era o que me estimulava a continuar respirando também, e agora? Pensar positivo não está funcionando, me sufoca cada dia que não apresenta sequer um por cento de melhora. Então, algumas consideráveis doses de conhaque, o bastante para me deixar embriagada... Nível elevado de lágrimas, capazes de deixar imersa a mais alta cidade... Expresso toda a angústia através de tristes palavras, que acalmam ou fazem sangrar mais ainda corações partidos. Escrever faz com que alguns hematomas pulem do peito para o papel, e assim meu coração encontra paz, mesmo que por pouquíssimo tempo. Paz essa que cessa quando mais uma vez dou-me conta de que por mais que eu faça arrepiar, emocione e apaixone algumas pessoas, você não voltará. Nunca. Eu não vou poder apreciar o pôr do sol ao seu lado como fazem os casaizinhos adolescentes lá fora, não vou poder te lambuzar de sorvete, e você não vai envelhecer ao meu lado para mais tarde jogar baralho em dupla no banco daquela praça! Será que alguém tem idéia de como tudo isso dói? Os meus amigos disseram que eu virei uma idiota amarga, eles não tentam me ajudar, e eu preciso tanto de uma ajuda... Uma mão para me levantar do chão sujo dessa sala, dessa sala que tem uma placa escrita em letras maiúsculas a palavra DESILUSÃO. Não, eu não vou te puxar e te largar no chão quando me puser de pé... A campainha não soa já faz um tempo, e meus braços estão na parede inutilmente tentando me reerguer. Só quero uma forcinha, um "eu estou aqui por você", mas você não vem, ninguém mais vem. Só me resta continuar pensando positivo, acreditar no impossível. Uma hora todo esse grito em meu peito vai calar, e essa dor em meus membros inferiores vai passar, e então estarei de pé, pronta para cair de um penhasco mais uma vez.
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